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“Felix Lescano – Símbolo da Raça” (por Lilian Nariai em 23/11/2013)

Livro que conta a história do artilheiro paraguaio que atuou no Mandaguari Esporte Clube nos tempos áureos foi lançado na sexta-feira (22), na Câmara Municipal

“Atacante bem ao estilo guerreiro paraguaio, garra, raça, jogo duro, habilidoso, chute potente, meio malandro, grande goleador. Adjetivos qualificativos que se encaixam ao perfil do grande artilheiro. Começou no Resistência, passou pelo Ríver Plate, Olímpia, todos de Assunción. Jogou no Sportting de Barranquilla, Millionários de Bogotá. Retornou ao Olímpia. Encerrou a carreira no Mandaguari Esporte Clube do Paraná – Brasil.”

Esse é um trecho do livro “Félix Lescano – Símbolo da Raça”, que resume bem as características e a trajetória de um jogador que se destacou pelos clubes por onde passou, deixando como legados muitos gols. No MEC, chegou em 1956, com um grupo de paraguaios, descobertos, ao acaso, por Antônio Ferreira, dono de um parque de exposições que se instalou na cidade onde Felix morava, em Assunción, no Paraguai.

Segundo o livro, nessa época Lescano já havia aposentado as chuteiras, jogava mais por diversão. E em uma dessas ocasiões, chamou a atenção de Ferreira, que era do Paraná, e que convidou ele e os amigos para um amistoso entre Paranavaí x São Paulo F.C. – com tudo pago e com direito a cachê. Partida em que acabaram sendo derrotados por 2 a 1, tendo Felix feito o gol do time da casa, Paranavaí.

Antes que pudessem receber qualquer proposta da equipe pela qual jogaram, os diretores do Mandaguari Esporte Clube, Caetano Soares e Antônio Franzolim, que assistiram à partida, foram logo atrás de Ferreira e fizeram a ele uma proposta irrecusável pelo grupo, oferecendo ainda ao empresário espaço privilegiado na cidade para que ele instalasse o parque de exposições.

De volta ao futebol, Felix, que iniciou profissionalmente como jogador em 1943, no Ríver Plate, e que já havia se consagrado como jogador no Paraguai e na Colombia, fez nome também no Brasil. Integrante do MEC, em 1960, o time conquistou o título de Campeão do Norte e a segunda colocação no Campeonato Estadual.

“Com o a conquista do vice-estadual, o nome de Felix Lescano ganhou repercussão no Brasil e até no exterior. Dirigentes e representantes de clubes como Vasco da Gama, Palmeiras e até do Paris Saint Germain estiveram em Mandaguari”, ressalta o livro.

Escrito pelo jornalista Antonio Padilha Alonso, a pedido do filho do jogador, Felix Daniel, “Felix Lescano – Símbolo da Raça” foi oficialmente lançado em Mandaguari na sexta-feira (22), na Câmara Municipal. O evento foi organizado pelo Elos Clube, que tem como presidente, Ingrit Setter Oswaldo. Para quem prestigiou, uma noite de reencontros, histórias, homenagens e muita emoção.

Entre os presentes, destaque para o ex-presidente do MEC, Waldemar Lopes; os ex-atletas que atuaram com Felix, Oscar Sespede, Valentin Guerino (Valente), Arlindo Caetano da Silva, Fioravante Ubiali (Fiori), José Fajardo (Zequinha). João Decanini (Neguito), já falecido, esteve representado pela esposa, Lidia Decanini. Ainda estiveram presentes o ex-técnico do MEC, José Paulo de Oliveira (Sarará) e João Moscone, que representou o pai, Aparecido, que também atuou pelo clube.

“Comecei a pensar nesse livro há uns quatro anos. Cresci ouvindo histórias do meu pai no futebol. Lembro pouco dessa época, porque quando ele parou de jogar, eu devia ter uns seis, sete anos”, diz Felix Daniel.

Segundo ele, a dimensão da importância do pai foi mais sentida na fase adulta. “Teve uma vez, que eu trabalhava em um banco em Londrina e fui visitar um cliente. Ele me perguntou se eu era filho daquele jogador paraguaio que atuou pelo Mandaguari, e eu disse que sim. Brincando, o cliente falou para eu me retirar da sala, porque o meu pai acabava com o time dele quando ia jogar lá”, recorda-se.

“Todas essas histórias me motivaram a desenvolver esse relicário, que é um resumo bacana da história da vida dele, daquilo que foi importante para ele e para a cidade. Eu fico feliz que a ideia tenha dado certo.”

Quanto às homenagens recebidas na sexta-feira, Felix Daniel diz que o pai é merecedor desse momento. “Foi uma homenagem a ele e a todos os desportistas que atuaram pelo MEC. Até por tudo que está acontecendo neste momento em Mandaguari, com a discussão sobre a derrubada do estádio para especulação imobiliária, é até bom para a cidade entender que tudo isso fez parte da história do município e da vida de muita gente. Vem como uma reflexão do que é essa história que está sendo jogada fora ou sendo deixada de lado.”

 

Félix Lescano

Nascido em 18 de maio de 1927, no Bairro Ricardo Brugada, em Assunción, no Paraguai, Felix Lescano é casado com Sara Judith Tatis. Tem cinco filhos: Sarita, Edith, Felix Daniel, Carlos Alberto e Luiz Carlos.

 

Félix Lescano na perspectiva de quem o conheceu ou o viu jogar

“Nós nos dávamos bem nos campos e fora também. Ele era uma pessoa muito boa e um bom jogador. Acho que essa homenagem a ele, em vida, é muito justa, deu muitas alegrias a Mandaguari.”

Arlindo Caetano da Silva, 86 anos, atuou na ponta direita do MEC, de 1955 a 1965

 

“Félix era como um irmão para mim, um companheirão, e ainda hoje às vezes a gente se encontra. A última vez que nos vimos foi há uns seis meses. Como pessoa, ele era sério, honesto. E como jogador, não bebia, não fumava e fazia muitos gols. Todo ano era artilheiro. Dá saudade do tempo que jogávamos juntos, a equipe do Mandaguari era muito respeitada.”

Valentim Guerino, 84 anos, atuou como quarto zagueiro do MEC, de 1957 a 1962

 

“Felix era o melhor jogador do MEC na época. Ele era gente fina demais.”

Oscar Sespede Benteo, 75 anos, atuou como zagueiro do MEC

 

“Em campo era o melhor que tinha no Paraná. Era uma pessoa muito gente boa. O livro é muito bom para ele, para Mandaguari e para o futebol.”

Waldemar Lopes, 80 anos, ex-diretor do MEC

 

“Fiquei bastante emocionada em ser escolhida para fazer a apresentação do livro, porque uma parte da minha infância eu passei dentro do campo de futebol do MEC. O Felix almoçou muitas vezes na minha casa com outros jogadores, porque a minha mãe era cozinheira deles. Meu pai dizia que gostava do jogo do Felix, porque ele era obediente. Essa homenagem que está sendo feita a ele é válida, ele merece muito mais que isso, por todas as alegrias que proporcionou ao povo de Mandaguari e de toda a região. Naquela época, nos domingos à tarde, o MEC ficava lotado com pessoas das mais diversas cidades.”

Maria Inês Teixeira, 63 anos, filha do saudoso treinador do MEC, Evaristo Teixeira

 

Veja mais fotos do lançamento do livro “Felix Lescano – Símbolo da Raça” em:http://www.portalagora.com/galeria#prettyPhoto[Felix-Lescano-%E2%80%93-Simbolo-da-Raca]/0/

 

Crédito das imagens: Leandro Bredariol

 

FONTE: http://www.portalagora.com/noticias/mostrar/id/4940/titulo/Felix-Lescano-%25E2%2580%2593-Simbolo-da-Raca#prettyPhoto

23/11/2013